GREVES REFLETEM NEGATIVAMENTE NO COMÉRCIO EXTERIOR


As paralisações dos servidores de instituições como a Receita Federal, a Anvisa e o Ministério da Agricultura têm afetado diretamente o Paraná. Apesar de ainda não haver um levantamento de prejuízos, as greves geraram atrasos na entrega de cargas na importação e na exportação, têm afetado a credibilidade das empresas paranaenses no exterior, trazem queda nas vendas, comprometem o capital de giro e podem levar a uma situação extrema de paradas nas linhas de produção, inclusive com dispensa de funcionários.

O alerta é do vice-presidente e coordenador do conselho temático de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rommel Barion. Segundo ele, as liminares que a entidade conseguiu na Justiça para liberar as mercadorias, estão amenizando os problemas, mas não resolveram a situação 100%. Segundo ele, ainda leva dois dias para as cargas serem liberadas. Barion disse que os servidores em greve exigem muita documentação para comprovar que as empresas importadoras ou exportadoras são filiadas à Fiep, o que torna o processo burocrático. O maior problema está sendo no Porto de Paranaguá, mas a dificuldade de liberação de mercadorias também acontece nos aeroportos e portos secos.

‘‘Estamos de mãos atadas e isso tudo fica muito feio para o Brasil diante dos clientes de outros países‘‘, afirmou. Na semana passada, a montadora Renault teve problemas na fábrica da Argentina em Córdoba por falta de peças, mas a situação já voltou ao normal. Segundo a assessoria da montadora, a fábrica paranaense ainda não teve consequências mais graves.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que, no momento, não há como separar o que é resultado da greve ou da crise internacional sobre o comércio exterior brasileiro. Será possível ter uma ideia disso depois que as paralisações terminarem. Segundo o ministério, as importações ainda sofrem um impacto maior com as greves.

De acordo com dados do ministério, de janeiro até o dia 10 de agosto, as exportações brasileiras acumulam US$ 146 bilhões e as importações US$ 134 bilhões, com um saldo positivo de US$ 11,5 bilhões.

O Porto de Paranaguá informou que informações sobre greves ficaram a cargo da Secretaria Especial de Portos. E esta instituição, que tem status de ministério, não retornou as ligações da FOLHA nem e-mail enviado.

De acordo com o especialista em comércio exterior, Carlos César Pilarski, cargas que demoravam de um a dois dias para serem liberadas ficam sem previsão de data.

Como uma forma de contornar a crise, o governo federal criou o decreto 7777, do dia 31 de julho, que dá poderes aos órgãos federais para fechar convênios com os órgãos estaduais e municipais e agilizar a liberação dos processos. Mas nem isso tem dado resultados, segundo ele. De acordo com Pilarski, a espera para liberar as mercadorias fica entre 35 e 40 dias, especialmente no Porto de Paranaguá.

Fonte: Folha de Londrina

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